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A motivação para acordar

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Acordar todos os dias às 7, fazer uma torrada e um café preto enquanto leio as notícias do dia, depois passar uma hora na academia enquanto adiciono um filtro de felicidade ao meu dia, ah endorfinas. Às 9:30 chego no trabalho e aproveito a próxima hora para limpar minha caixa de entrada e encarar o resto do dia de reuniões.

Uma pena que tal cenário só existe na minha cabeça e está longe de ser real.

A minha verdadeira manhã começa às 07:30, quando tomo uma pílula com 450mg de cafeína, o equivalente a 5 expressos, só assim para conseguir sair da cama uma hora depois, o que nunca acontece porque durmo mais uma hora.

Alguns dias são nublados, outros ensolarados, assim como nem todo dia se pode estar ganhando, também nem todo dia é fracasso.

Acordar cedo exige mais que disciplina, uma despertador escandaloso e um bom café. Precisa vontade de viver, de resolver os problemas que te aguardam na caixa de entrada e porque não, um travesseiro bom.

Mas onde acha motivação? Compra pela internet? Parcela?

Motivação vem de dentro, não dá pra colocar expectativa em qualquer coisa fora. É uma explosão de sentimentos que culmina em um grito de “Bora, agora é a hora”.

É fácil culpar o trânsito, a chuva, o chefe, o ketchup que acabou no restaurante, o mundo. Mas o que são essas pequenas coisas se colocadas na perspectiva de uma vida inteira? Ou até mesmo de um mês? Você lembra quando foi a última vez que ficou chateado com a chuva? Ou a última fila de banco que arruinou seu dia?

Mas mesmo sabendo disso tudo na teoria, a prática é outra coisa. Voltam os pensamentos de fracasso e de que as coisas não poderiam dar certo, na hora de acordar aquele poço de sono não acaba e quando você menos percebe, já está atrasado para seu próximo compromisso.

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Dia de folga

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Hike Forest.pngTudo começou ontem, uma segunda-feira intensa em uma semana que tinha tudo para dar certo. Acordei às 06:30, fiz um café da manhã com nada industrializado (uma raridade), fui correr e estava no trabalho pronto para o batente antes das 10.

Foi um dia cheio de desafios. Mas quais não são? Afinal eu não funcionaria se fosse diferente… Às 19 eu tinha um workshop, um misto de coaching com aula de teatro. De improviso a dinâmicas de grupos durante três horas, cheguei em casa lá pelas 23:30 pronto para capotar e já pensando que no dia seguinte acordaria tarde.

No dia seguinte, como todos os dias, o alarme toca às 06:30 para tomar um remédio e depois disso volta a tocar a cada 30 minutos.

Acordei tão atordoado que tomei o remédio errado, ufa que era somente lítio, o estabilizador de humor. Dois comprimidos não iam fazer mal para quem estava acostumado a tomar sete por dia e hoje toma só dois. A cada 30 minutos que passavam eu acordava e às pálpebras não queriam se descolar, adiava o alarme, mais 30 minutos e dessa vez eu podia sentir o hormônio do stress sendo produzido enquanto tentava, mais 30 minutos e meus pensamentos me dominavam “se sair da cama agora vou ficar mal humorado o dia todo“, “mais meia hora vai resolver“…

Eu nunca tive facilidade para acordar, de fato é um processo tão difícil que eu acordo todos os dias como se estivesse emergindo de um pesadelo fulminante, com direito a pulo da cama e tudo.

Mas esse dia foi especialmente difícil… Já eram 10:30 (meu horário final para sair da cama e não me complicar no trabalho) e eu não estava preparado. Minha cabeça era um turbilhão de pensamentos negativos que não conseguia controlar. Estava paralisado na minha própria cama.

Decidi inventar que estava doente para não ir trabalhar.

Férias forçadas

Quando um atleta está machucado, ele tira uma licença para se recuperar. Por que não fazemos o mesmo com o cérebro?

Oasis Boat Sundown.png

Existe um movimento recente em blogs, pesquisas e periódicos para respeitar sua mente como respeitamos o corpo. Nosso corpo é fascinante por ter um mecanismo de defesa que é a dor. Se algo está doendo, é porque precisa repousar e de atenção, se a dor não existisse, você quebraria o braço e nunca perceberia.

Só que nosso cérebro não dói. Quando ele precisa de atenção se manifesta das mais diferentes maneiras, praticamente todas subjetivas. Está agressivo? Desde muito café até uma decepção amorosa. Depressivo? Podem ser complexos traumas infantis até morte de um ente querido. Vingativo? Falta de reconhecimento, baixa auto-estima, etc. Cada um responde de maneiras diferentes a situações diferentes e em alguns casos descobrir a raiz da questão pode demorar anos de terapia intensiva. Sem falar quando não é apenas um traço de personalidade.Desert Road.png

Me custaram anos de terapia para descobrir como eu reajo a algumas situações e como me blindar delas. Desconto a maioria de minhas frustrações em comida e álcool, me isolo dos amigos e família quando estou mal e tendo a sempre ter uma visão distorcida do mundo onde eu entrego menos do que o necessário (quando na real é sempre mais). O problema disso tudo é que esses são apenas os sintomas, o motivo real para ter ficado nessa situação podem ser vários.

O mais provável é o transtorno bipolar.

O pior é que é assim que costuma acontecer. Ser bipolar é acordar de repente com um humor completamente diferente que te acompanha por semanas. Dá até um medo de acordar no dia seguinte. Claro que isso também acontece com os dias bons, mas quem lembra deles?

Só que hoje era um dia dos ruins. Acordar assim me deixa mal por si só. Saber que o que me espera pela frente são alguns dias miseráveis e depressivos, mesmo tentando sair desse buraco sou afundado mais ainda. Não adianta meditar, boa alimentação, ficar sem álcool, aumentar dose dos remédios, quase tudo é inútil nessa situação. A parte legal é que muitos anos de terapia me ensinaram que é apenas uma fase passageiras e a miséria tem fim, isso me ajuda a não desistir até nos momentos mais sórdidos.

Quando finalmente consegui sair da cama, fui direto para a cozinha procurar alguma coisa para comer, tinha que ser doce, tinha que ser saborosa, como se procurasse por algo que preenchesse o vazio dentro de mim. Voltei com um pacote de biscoitos amanteigados e leite achocolatado para o quarto. Tomei o leite e fiquei imediatamente sem vontade de comer, o motivo? A embalagem parecia muito complicada de abrir. Decidi voltar para debaixo das cobertas.

Tenho um “mecanismo de defesa” muito curioso (pra não dizer chato). Quando estou mal, fico com um sono absurdo, como se meu corpo quisesse se fechar, dormir para sempre, como se os problemas não estivesse mais lá quando acordasse.

Era um dia frio de julho, voltei para a cama e fiquei embaixo das cobertas, já tinha decidido que seria meu dia de folga e estava tentando processar a ideia sem me sentir culpado enquanto cancelava as reuniões do dia.

Eu sabia que era importante que eu tirasse esse dia de folga forçado, não estava em condições nenhuma de socializar, passar o dia em reuniões e produzir algo.

Quase meio dia consigo me mover para o sofá e decido assistir desenho animado, algo que costuma me alegrar. Quando mal vi já estava indo ao McDonald’s pedir um Big Mac.

A partir da tarde a culpa já estava se dissipando e decidi jogar video-game, algo que sempre me alegra e já me tirou dos buracos mais fundos que passei quando estava cortando as drogas da minha vida.

Mountain.pngSó que enquanto estava procurando o mouse e colocando o computador na mesa perdi completamente o interesse. Será que estava ficando uma criança mimada? Só o fato de estar assim me deixava mais irritado ainda e não contribuía para a situação. Mas esse tipo de comportamento já aconteceu antes, então nada de se estranhar muito.

Enfim, decidi que nada melhor do que uma coisa que não exigisse muito do cérebro, algo que me deixasse feliz mesmo sem muito esforço e que desse uma perspectiva positiva do mundo. Nada se aplica tão bem a todos esses critérios como Bob Esponja. Episódios curtos de uma esponja que vive no fundo do mar e absolutamente nada o deixa para baixo.

O restante do dia foi um misto de tentar fazer algo produtivo (ler e-mails e escrever) e satisfazer necessidades fisiológicas a força (comer). Sinto que foi apenas mais um dia perdido no meio de vários que perco para o transtorno bipolar. No dia seguinte acordei melhor e com um pouco de esforço consegui trabalhar e voltar a viver normalmente.