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O medo de estar tudo bem

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Hoje eu dormi cinco horas e acordei bem. Mal abri o olho e já tinha respondido algumas mensagens no chat do trabalho. Sequer sai da cama e estava com o computador no colo respondendo alguns e-mails.

Ao chegar no trabalho, consegui terminar em uma hora um relatório que levaria provavelmente umas seis, não só o terminei como consegui preparar de uma maneira diferente que rendeu elogios do chefe ao final do dia.

Estava com problemas burocráticos em outro projeto para fazê-lo sair do papel. Passei no jurídico e financeiro e depois de uma conversa meio tensa onde precisei ser firme e bater de frente, consegui desempacar a situação.

E a cereja do bolo foi quando ocorria um evento interno para 300 pessoas e um participante critica abertamente um dos produtos que cuido para a liderança presente e ainda questiona se fariam algo. Eu – com a maior naturalidade do mundo – fui até a frente do palco, calmamente peguei o microfone do diretor e respondi na frente da empresa inteira os planos de lançamento.

Se você não me conhece, deixa te explicar: esse relatório e esse projeto estavam se arrastando por meses como se fossem um câncer em mim e eu tenho pavor de falar em público sem me preparar anteriormente.

Sim, era um dia bom. Sem falar na dieta que consegui seguir à risca.

Só que dias bons não costumam ser bom sinal.

De repente já eram 22h e eu me deparei quase no susto ainda no escritório trabalhando respondendo e-mails como uma máquina.

Foi quando comecei a me questionar. Isso não era normal. Em qualquer outro momento, estaria me flagelando de stress, pensando em comida, bebida, alguma válvula de escape.

Esse é um medo constante, o medo de ficar bem. Porque ficar tão bem assim só pode significar uma coisa: hipomania.

Hipomania é uma das fases de quem tem transtorno afeto bipolar. De maneira simplista dá pra se dizer que é o contrário da fase depressiva.

Será que estava começando a ficar hipomaníaco? Me passou isso pela cabeça e logo deixei essa ideia de lado. Fui fazer uma salada e assistir uma série. Mas estava inquieto e comia com uma mão, ficava no celular vendo o Instagram com outra e assistia a uma série. Quando menos percebi abandonei 2/3 da salada de lado e já sem fome fui procurar outra coisa para fazer.

Enquanto tomava banho, já depois da meia noite, voltei a pensar nas implicações de estar assim: será que estou? Será que não estou? Será que é apenas um dia bom? Essa inquietude de não poder confiar nos próprios sentimentos é algo que me persegue e sempre precisarei aprender a lidar, para o resto da minha vida. E sabe do pior? É isso que me torna quem sou.

Só espero que esse carrinho de montanha russa não caia tão cedo…

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