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Como não sentir efeito colateral de remédios

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Esse artigo não é nada científico, também não sou médico, que fique claro que é apenas minha experiência pessoal.

Não importa se é antidepressivo, estabilizador de humor ou anticonvulsivo, já tentei dos mais diversos sabores de remédio para meu transtorno bipolar e parece que meu organismo não gosta de nenhum.

Sofro com os mais clássicos efeitos colaterais, como boca seca, ânsia de vômito e problemas digestivos até os mais pesados como hipotireodismo, cirrose hepática ou até parar no hospital com alergia severa.

Mas e como diminuir os efeitos colaterais?

Uma coisa que aprendi, é que é possível diminuir efeitos colaterais dos remédios com algumas dicas básicas.

A primeira dela: nunca leio a bula.

As consequências do efeito placebo são amplamente estudadas. Basicamente, é o efeito que uma pessoa sente ao achar que está tomando um medicamento, mas na real não está. A maioria das pesquisas médicas compara pacientes que tomaram o medicamento real com pacientes que tomaram um placebo e comparam os efeitos entre os grupos.

No caso de doenças mentais esse tipo de pesquisa é mais importante ainda porque os efeitos de um medicamente raramente podem ser constatados no sangue. Num teste de remédio para diabetes, por exemplo, é possível medir a glicemia, mas num teste de medicamento para transtorno bipolar, não tem exame laboratorial que mede o resultado.

Voltando para a nossa realidade, se têm pessoas que relatam melhora perceptível nos sintomas mesmo sabendo que estavam tomando pílulas falsas, imagina o que nosso cérebro não faz sabendo dos efeitos colaterais antes mesmo de tomar um remédio?

Então minha regra é nunca ler a bula antes de começar um tratamento. Deixo claro para meu psiquiatra que não quero saber dos efeitos colaterais também e peço para ele me avisar de tudo que deveria saber que poderia estar na bula (interações com medicações, alimentos, periodicidades, etc). Eu basicamente transfiro a tarefa de bula para meu médico e deixo claro isso para ele.

Claro que isso vai depender do relacionamento que você possui com seu psiquiatra, eu tenho a liberdade de mandar mensagem ou ligar caso algo estranho estiver acontecendo para tirar uma dúvida.

Mas tem outra coisa

Além de não ler a bula, tem outra coisa que faço que ajuda muito nos efeitos colaterais. A ideia de começar um tratamento com a mente aberta.

Parece um papo meio espiritual demais, mas a ideia é ir de coração aberto para todo tratamento novo.

Eu sou muito contra antidepressivos. De maneira geral eles não funcionam para quem tem transtorno bipolar e no meu caso específico eu já sofri muito porque antes de ser diagnosticado tentamos várias combinações de antidepressivos que me fizeram ter variações de humor e umas depressões complicadas. Então sempre que surge a ideia de antidepressivo, eu fico com os dois pés atrás.

Mas recentemente meu psiquiatra me apresentou a um antidepressivo específico que tem um mecanismo de ação diferente dos outros, não costuma engordar e foca na dopamina ao invés de serotonina. Eu tive que maturar um pouco a ideia, mas fui de corpo e alma e com vontade de fazer acontecer para o tratamento. Acredito que se tivesse começado com meu viés negativo, provavelmente estaria sofrendo mais efeitos colaterais ou quem sabe nem aproveitando os efeitos terapêuticos.

Eu já consigo ver claramente essas duas técnicas em ação no meu dia-a-dia.

Esses dias eu estava com dificuldade de acordar após começar um tratamento novo e depois de uma semana nesse estado falei com meu psiquiatra. Ele me explicou que um dos efeitos colaterais do remédio era me deixar sedado e mudamos o horário da dose. Imediatamente comecei a ficar com sono logo após tomar o remédio, algo que não acontecia antes de saber desse efeito, era meu cérebro entrando na ideia dos efeitos colaterais.

Em outros casos, principalmente medicamentos que mexem muito com órgãos vitais – como o lítio – é impossível não sentir a boca seca que fica após a dosagem diária.

Entre quatro a oito semanas após o tratamento começar, quando estou completamente adaptado, leio a bula só por curiosidade. Já que a probabilidade de um efeito colateral aparecer a essa altura é quase nula e meu cérebro sabe disso.

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