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Mexeu com meu remédio, mexeu comigo

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Fui a uma balada neste final de semana e passei por uma experiência que me deixou bem desconfortável.

A primeira frase que o segurança falou pra mim ao chegar na porta foi “não vou encontrar nada aqui?” e ficou repetindo enquanto revistava todos meus bolsos, pedia para eu tirar o tênis e o que mais foi necessário para fazer a revista. Eu entendo que estavam pegando pesado na revista, mas sequer um boa noite? Esse é a primeira impressão que alguém tem com a casa.

No final da revista minuciosa ele finalmente consegue encontrar algo, era meu calmante (Rivotril) que levo na carteira para qualquer situação de emergência. São para ataque de pânico, coisa que pode acontecer no meio de multidões. Ele confiscou o remédio e falou que ia deixar na enfermaria.

Fiquei um pouco chateado porque é um direito meu ficar com meu remédio e também porque caso tivesse um ataque de pânico de verdade, teria que ir até a enfermaria pegá-lo. Mas por outro lado fiquei despreocupado pensando que a enfermaria seria o melhor lugar pra ser cuidado caso passasse mal.

A festa passou, por sorte não precisei do meu remédio e fui buscá-lo no final. Quando cheguei, vi que todos os remédios de todos os frequentadores foram guardados num saco de lixo. Precisou de duas pessoas e 15 minutos para encontrar o meu no meio de tudo aquilo. Fiquei indagando se algo de ruim tivesse acontecido na festa e precisasse do remédio, passaria mal antes mesmo de chegar na enfermaria, quem dera encontrar meu remédio dentro de um saco de lixo.

Fiquei muito indignado com a situação toda, só quem precisa de calmantes sabe o quão importante é ter ele no bolso para qualquer situação, as vezes só ter ele no bolso já é o suficiente para me tranquilizar.

A casa é frequentada por quase todos os meus amigos, eu perdi completamente a vontade de voltar lá, só de pensar em ter que passar por essa situação de novo já fico nervoso.

Esse episódio mexeu tanto comigo que começo a me questionar, será que não estou exagerando na necessidade de remédios? Será que não estou dependente demais?

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A motivação para acordar

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Acordar todos os dias às 7, fazer uma torrada e um café preto enquanto leio as notícias do dia, depois passar uma hora na academia enquanto adiciono um filtro de felicidade ao meu dia, ah endorfinas. Às 9:30 chego no trabalho e aproveito a próxima hora para limpar minha caixa de entrada e encarar o resto do dia de reuniões.

Uma pena que tal cenário só existe na minha cabeça e está longe de ser real.

A minha verdadeira manhã começa às 07:30, quando tomo uma pílula com 450mg de cafeína, o equivalente a 5 expressos, só assim para conseguir sair da cama uma hora depois, o que nunca acontece porque durmo mais uma hora.

Alguns dias são nublados, outros ensolarados, assim como nem todo dia se pode estar ganhando, também nem todo dia é fracasso.

Acordar cedo exige mais que disciplina, uma despertador escandaloso e um bom café. Precisa vontade de viver, de resolver os problemas que te aguardam na caixa de entrada e porque não, um travesseiro bom.

Mas onde acha motivação? Compra pela internet? Parcela?

Motivação vem de dentro, não dá pra colocar expectativa em qualquer coisa fora. É uma explosão de sentimentos que culmina em um grito de “Bora, agora é a hora”.

É fácil culpar o trânsito, a chuva, o chefe, o ketchup que acabou no restaurante, o mundo. Mas o que são essas pequenas coisas se colocadas na perspectiva de uma vida inteira? Ou até mesmo de um mês? Você lembra quando foi a última vez que ficou chateado com a chuva? Ou a última fila de banco que arruinou seu dia?

Mas mesmo sabendo disso tudo na teoria, a prática é outra coisa. Voltam os pensamentos de fracasso e de que as coisas não poderiam dar certo, na hora de acordar aquele poço de sono não acaba e quando você menos percebe, já está atrasado para seu próximo compromisso.

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Procurando algo

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Hoje é domingo e estou com mais de 63 e-mails não respondidos, mais de 90 notificações no Facebook para ver e preciso escrever um relatório do que fiz durante os últimos seis meses no trabalho.

A cada seis meses isso acontece, mas dessa vez existe uma pressão extra, fui promovido há pouco tempo, depois de três anos, pra completar são os primeiros seis meses depois que mudei de time e estou fazendo algo completamente diferente.

Embora eu saiba a teoria do que preciso fazer, tenho layouts prontos com tópicos para escrever e já revisei minha agenda com todos as minha atividades, não consigo “engatar”

Já fui ao mercado mais cedo, fiz compras com a desculpa de que precisava me alimentar bem e não ter que me preocupar em pedir comida daqui algumas horas. Cheguei em casa, lavei e sequei toda a louça para deixar coisas preparadas durante a semana que sei que será difícil. Os tomates, alface, frutas e tudo mais estão esperando ser cortados até agora, quatro horas depois.

Mas tento focar, enquanto me esforço pra escrever o que preciso, olho o dia nublado e frio lá fora. Depois de cair na realidade que só eu posso dar um jeito nisso começo a pensar no que posso fazer para me ajudar, aquele empurrãozinho.

Minha vida inteira procurei por “algo” que não sabia o que era e que pudesse me ajudar, me dar uma luz, uma esperança.

Será que bebo algo? Preciso parar com álcool, também não vai ajudar. Café? Já tomei 900mg de cafeína hoje, um pouco menos que o dobro da dose recomendada diária para meu peso. Já tomei os antidepressivos e estabilizadores de humor nos horários e doses certas.

Correr? Meditar? Jogar video-game? Será que acho algum Valium perdido na gaveta? Só a ideia de pensar nisso tudo me deixa mais ansioso ainda. Vim escrever para ver se surte algum efeito. Se colocar toda essa angústia no papel me faz ver que não é nada demais e eu consigo controlar minha força de vontade.

Mas aparentemente não, escrever não resolveu. Vou continuar olhando para o céu nublado até ter uma ideia milagrosa.

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Quartas-feiras

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Hoje já é quarta – e como eu gosto de ver o copo meio cheio – podemos concluir que é quase quinta, que é pré-sexta, que é quase final de semana.

Lembra daquela dieta que você prometeu começar junto com a academia? É sempre na quarta-feira que cai a culpa de não ter começado coisa nenhuma.

Para uns, o dia do sagrado futebol, para outros a maratona de séries e para os fortes, o happy hour da firma.

Dias desses li alguém resmungando “minha vida é uma eterna quarta-feira”. Por um momento senti dó e pensei em lembra-lo que segundas-feiras existem. Mas logo me ocorreu que ninguém pode bater a quarta-feira, você usou todas as suas forças para sobreviver dois dias e tem mais dois pela frente?

O pior tipo de tortura que pode-se desejar a um inimigo? Que ele acorde todas as quartas-feiras às 6 da manhã pensando que é sexta. Pior que isso só se fosse quarta-feira de cinzas, o dia nacional da ressaca. Tem dia da semana mais renegado que o dia culpado por acabar o carnaval todo ano?

Por outro lado, a quarta é apenas outro dia da semana, o mais ordinário, o mais “de boa”. Sem pressão de ser o primeiro, nem com as obrigações de ser o dia onde todos precisam se divertir (sábado, estou pensando você)

É o tapinha nas costas que o universo te deu. Se a semana foi ruim, tem mais dois dias para consertar.

E vamo que vamo.

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Endorfinas pra que te quero

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Um dia normal na minha vida é um poço de negatividade, ódio ao mundo e vontade de morrer. Por mais que eu saiba dessa condição e anos de terapia, visitas ao psiquiatra, sessões com outros psicólogos e até a adoecer porque tomava remédio demais me ensinaram é que exercício físico é a solução para quase todos os meus problemas.

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Exercícios para uma saúde melhor

Aí você deve estar somando uma coisa a outra e pensando que obviamente eu devo mergulhar em todos os esportes e morar na academia.

Muito fácil na teoria.

Agora na prática, eu não consigo acordar cedo o suficiente para correr, quando não estou trabalhando até tarde, acabo tomando muito tempo me preparando para coisas banais, como colocar roupa de academia, sincronizando músicas para ouvir na academia ou até mesmo procurando a toalha perfeita.

Também não sei dosar muito bem os limites. Ora estou machucado porque corri demais, ora não me alimentei direito e fiquei sem energia a ponto de ter uma queda glicêmica e quase desmaiar. Tudo é absorvido pelo meu cérebro como “eu sou um derrotado” e fica só esperando o dia para jogar a verdade na minha cara.

Poderia ser simples não é? Como seres humanos fomos programados para fazer exercício físico há centenas de anos, por que tanta dificuldade?

Acabei de correr 5.62km. O que segue é um monólogo interno nesses 44 minutos.

-Hmmm, que ideia foi essa de correr domingo fazendo 13 graus?
-Bom, já estou fora de casa e coloquei casaco, então vamos lá.
-Por que eu decidi ir até o Ibiraquera? São 2km só pra chegar, depois precisarei voltar mais 2km. Poderia ter ido na esteira.
-Aff esse GPS não liga nunca.
-Nossa, que calor, e eu nem cheguei no parque, esse casaco vai me irritar.
-Por que eu vim correr mesmo? Ah verdade, estou estressado.
-Shhh, ouve a música.

Corra dos seus problemas

-Ufa, cheguei. Que maravilha, o parque está vazio, melhor escolha ter vindo correr.
-Nossa, já 1km?
-Estranho, já estou ofegante.
-Ah, verdade, nariz entupiu nesse frio.
-Dorzinha embaixo da costela, respira direito!

2km

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-Cabelo maldito, tá chicoteando minha cara, preciso lembrar de cortar.
-Ouch, no olho não.
-Aquele gatinho me encarou por 3s, será que era flerte ou só estava com pena da minha cara de sofrimento?
-Saudade de correr no parque da Aclimação, era cheio de gatos abandonados por velhinhas coreanas.
-Queria um gato de estimação.
-Awn que fofo, o casal aprendendo a andar de skate juntos!

3km

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-Um passo atrás do outro, flexiona esse joelho, respira!
-Já estou pingando, preciso tirar esse casaco.
-Nossa, eu subestimei a dificuldade de tirar um casaco e amarrar na cintura correndo. Quase que o fone de ouvido foi pro chão.

4km

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-175bpm, fodeu.
-Nota mental: malhar mais o músculo que segura o joelho.
-Malhar, né? Qualquer músculo é lucro a essa altura.
-Respira fundo, desacelera, calma. Pensa nas endorfinas.
-Quando foi que escureceu?
-Louie, por que você colocou uma música calma na sua playlist de corrida?
-Tem algum ditado com limões que não lembro. A lição é aproveitar a música pra desacelerar.
-Ahhhh, endorfinas.
–  🎶 🎵 🎼 🎶 🔊
-Amo essa canção <corre no ritmo da batida>.
-Se recomponha homem, está pisando mais forte de um lado que outro por causa dessa música.

5km

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-Esse mulher já cruzou comigo duas vezes, não sei por que mas senti uma conexão. Que velocidade será que ele está mantendo? Será que ela também gosta de comer tangerina depois do treino?
-Olha que brega, um monociclo elétrico. Não bastasse isso, ele está com o cachorro no colo.
-Quase fui atropelado por um ciclista amador, mas as endorfinas não me deixaram ficar puto.
-Ok, melhor parar antes que me machuque.
-Nossa eu já cheguei em casa? Nem percebi o caminho de volta.
-O porteiro está falando comigo e eu estou ouvindo música. E agora?!
-Só sorri, concorda com a cabeça e vai em frente, Louie.